14/08/2026
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PF aponta ligações de senador com ministro do STJ em investigação

PF aponta ligações de senador com ministro do STJ em investigação

A Polícia Federal informou que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) manteve contatos repetidos com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), enquanto o magistrado era o relator de uma investigação sobre um homicídio em São Luís. A PF suspeita que o senador tentou interferir nesse inquérito.

A investigação apura se o crime está ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Maranhão e sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB). O caso está agora com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), por causa das suspeitas sobre Weverton. A informação sobre os telefonemas consta em uma decisão de Dino tornada pública nesta sexta-feira (14).

Procurado, o senador não se manifestou. O ministro Humberto Martins, que não é investigado formalmente, também não se posicionou.

As conversas foram encontradas pela PF na análise do celular de Weverton, apreendido no ano passado em uma operação sobre desvios relacionados ao INSS. Dino pediu que André Mendonça, relator desse caso, compartilhasse os dados com a investigação do Maranhão. Segundo a PF, os registros mostram comunicações diretas com o ministro entre 25 de janeiro de 2023 e 4 de outubro de 2025, por mensagens de texto, áudios, ligações e compartilhamento de mídias.

O órgão afirma que os diálogos tratam de encontros pessoais e de processos sob relatoria do ministro, indicando uma relação de proximidade que vai além do contato formal. A PF diz ainda que o senador fazia pedidos sobre ações que tramitavam com o ministro e que houve um encontro no gabinete dele em agosto do ano passado. Em um registro de 2 de junho, após uma ligação de cerca de cinco minutos, o senador enviou um áudio dizendo: “Meu irmão, caiu aqui porque é ruim mesmo a internet no Maranhão”. No mesmo dia, Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, condenado como executor do assassinato, do presídio de Pedrinhas para Brasília.

O empresário João Bosco Sobrinho foi morto em 2022. A Justiça do Maranhão condenou Gilbson Cutrim a 13 anos de prisão pelo crime. O caso no STJ investigava se o homicídio tem relação com a suposta cobrança de propina por Daniel Brandão. Em novembro de 2025, o processo foi enviado ao STF por causa das suspeitas envolvendo Weverton.

O episódio se tornou um tema central na disputa pré-eleitoral pelo governo do Maranhão, com acusações entre grupos ligados a Dino, dissidentes e opositores. A PF também apura se o assassinato pode estar ligado a suspeitas de desvios de emendas parlamentares em contratos no estado.

Carlos e Daniel Brandão não se manifestaram após serem procurados. Eles negam irregularidades. Em nota anterior, o governador disse que os processos que enfrenta desde 2024 surgiram de “narrativas manipuladas” após seu distanciamento de um grupo que queria permanecer no poder. Daniel Brandão afirmou que repudia as tentativas de associar seu nome a fatos criminosos sem provas e que o condenado já declarou, em vídeos sobre o crime, que ele não tem relação com os fatos. O presidente do TCE-MA completou que as alegações são “exclusivamente narrativas” e surgem em períodos de disputa eleitoral.

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