O caminho percorrido por um pneu após o descarte passa por diversas etapas até se transformar em matéria-prima para novos produtos. No Distrito Federal, a Quality Rubber é a única empresa que realiza o processo completo de reciclagem, desde o recebimento do material até a separação dos componentes. A empresa é um ponto credenciado da Reciclanip, organização ligada à Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), responsável pela coleta de pneus inservíveis.
O processo começa com o armazenamento adequado dos pneus em local coberto, para evitar o acúmulo de água. Em seguida, o aço das laterais, chamado de talão, é retirado e enviado para a siderurgia. Na trituração, o pneu é moído em fragmentos cada vez menores, gerando os chips, que ainda contêm borracha, aço e fibras misturados. Parte desses chips é usada como combustível em fornos da indústria cimenteira, aproveitando o alto potencial energético do material.
Nas etapas seguintes, a borracha passa pela granuladora, que reduz o material a partículas menores. A peneiração separa o aço por meio de ímãs e classifica a borracha por tamanho de grão. Pneus de carros e motos passam por um processo extra para retirada de fibras de nylon, que poderiam contaminar o produto final.
Os granulados maiores são usados em gramados sintéticos, pisos de academias e parques infantis, além de anilhas e halteres. Já o pó de borracha, resultado de um processo mais refinado, é destinado à produção de asfalto-borracha. Esse tipo de pavimento utiliza o pó como componente do ligante asfáltico, o que aumenta a elasticidade e a resistência da mistura.
O DNIT regula o uso da tecnologia por meio das normas DNIT 111/2009 e DNIT 112/2009. Estudos indicam que o asfalto-borracha pode aumentar a durabilidade do pavimento e reduzir a necessidade de manutenção, mas a adoção depende de análises técnicas e da capacidade das usinas. Um exemplo de aplicação ocorreu na Ponte de Guaratuba, no Paraná, onde cerca de 23 mil pneus foram transformados em aproximadamente 600 toneladas de massa asfáltica, em uma parceria entre recicladora, indústria de asfalto e empresa de pavimentação.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios para crescer. Muitas recicladoras focam no coprocessamento para cimenteiras, que exige menos etapas. Segundo Joel Custódio, diretor da Strasse Reciclagem de Pneus, falta integração entre os setores público e privado para ampliar a demanda por produtos reciclados. No Distrito Federal, estima-se que sejam geradas cerca de 12 mil toneladas de pneus inservíveis por ano, volume que mostra o potencial de expansão do mercado.
