07/08/2026
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Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmam pacto militar

Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmam pacto militar

A Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia assinaram nesta sexta-feira (7) um pacto de defesa mútua que tem potencial para mudar o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio e do Sul da Ásia.

A aliança acontece em meio à escalada regional: o Irã, reagindo à agressão liderada pelos Estados Unidos e Israel, tem atacado aliados americanos na região com drones e mísseis balísticos. Os sauditas ainda enfrentam a ameaça de grupos aliados de Teerã, como os grupos islamitas do Iraque e os rebeldes houthis do Iêmen.

Na quinta-feira (6), dezenas de soldados da coalizão do governo deposto da capital iemenita em 2014, apoiada por Riad, morreram em um ataque houthi. Segundo os sauditas, a Guarda Revolucionária do Irã está coordenando os ataques, rompendo a paz estabelecida com Teerã com mediação chinesa em 2023.

Os detalhes do acordo tríplice são escassos, mas o pacto tem forte simbolismo numa região que vem sendo redesenhada pela violência desde que o Hamas atacou Israel em 2023, gerando uma série de conflitos.

O texto foi assinado em Meca, cidade mais sagrada do islamismo, entre três grandes nações muçulmanas de maioria sunita. O xiismo, minoritário, tem seu centro justamente no Irã.

O premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército do país, Asim Munir, fizeram uma peregrinação em Meca antes da chegada do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Eles foram recebidos pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

No campo militar, o acordo reúne o sétimo maior orçamento de defesa do mundo, o da Arábia Saudita, o Paquistão, que possui 170 ogivas nucleares, e a Turquia, com 355 mil soldados, o segundo maior contingente da Otan, atrás apenas dos EUA.

No ano passado, sauditas e paquistaneses já haviam assinado um pacto de defesa mútua que, na prática, transformava o reino em uma potência nuclear. No Oriente Médio, apenas Israel tem a bomba, com estimadas 90 ogivas, sem assumir publicamente.

Com o acordo, o Paquistão posicionou 8.000 soldados e um esquadrão de caças em território saudita. Até agora, o país não se envolveu diretamente em retaliação contra o Irã pelos ataques pontuais à Arábia Saudita, mas assumiu o papel de principal mediador na crise.

Os três parceiros já mantinham laços na área de defesa. O Paquistão, que lutou quatro guerras com a Índia desde a separação em 1947, presta assistência aos sauditas há décadas e compra material militar turco, assim como Riad.

Não está claro, porém, se o acordo anunciado nesta sexta é explícito sobre o componente nuclear da equação.

Donald Trump é um potencial derrotado pelo anúncio, já que pressionava Riad a aceitar fazer as pazes com Israel dentro dos chamados Acordos de Abraão, implementados em seu primeiro mandato, que atraíram Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.

No mês passado, o americano anunciou um pacto para transferência de tecnologia nuclear civil aguardado pelos sauditas, mas no dia seguinte condicionou o acordo a uma paz entre o reino sunita e Israel.

Turquia e Paquistão são adversários declarados de Israel. O pacto reforça uma posição conjunta distante do que Trump pretendia com os acordos de paz.

Além disso, o Paquistão já havia se afastado de Washington após os anos da “guerra ao terror”, aproximando-se da China. Os turcos têm uma relação turbulenta com Trump, embora esteja em recomposição.

No plano político, o pacto é uma vitória para Erdogan, que vem ampliando sua influência geopolítica na vizinhança.

Em 2024, ele apoiou o Azerbaijão na vitória sobre a Armênia em torno de Nagorno-Karabakh e, depois, foi o motor da derrubada de Bashar al-Assad na Síria, um evento de grande impacto na política regional.

A instalação de um governo liderado por radicais islâmicos na Síria alarmou Israel, que reafirmou sua posição de potência militar dominante no Oriente Médio nas guerras após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Na prática, Tel Aviv ocupa uma faixa estendida no território sírio em colaboração com a minoria druza, confrontando os interesses da Turquia, que também se antagonizou com a Rússia, fiadora de Assad, mas que perdeu capacidade de intervir devido ao foco na Guerra da Ucrânia.

O mesmo ocorreu no Cáucaso, onde Vladimir Putin viu seu protetorado na Armênia evaporar com a derrota militar para os azeris e a paz subsequente mediada por Trump.

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