Pelo segundo ano consecutivo, o presidente Lula (PT) não deve participar dos atos sindicais do 1º de Maio, celebrado nesta sexta-feira. Em 2024, Lula criticou a baixa adesão ao ato realizado em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Para evitar expor o petista, pré-candidato à reeleição, a um novo desgaste de imagem caso as manifestações sejam novamente esvaziadas, a opção foi por preservá-lo.
Após uma semana de derrotas do governo no Congresso Nacional, movimentos de esquerda apostam no apelo pelo fim da escala 6×1 para pressionar o Legislativo. O receio de baixa adesão também fez com que os atos não fossem centralizados em São Paulo, como ocorria desde 2018. O Rio de Janeiro será exceção, com um grande ato marcado para as 14h na praia de Copacabana.
Em São Paulo, as frentes reunirão políticos próximos a Lula para enviar um recado ao Congresso. A relação de tensão com o governo foi agravada pela rejeição à indicação de Jorge Messias ao STF, na quarta (29), e pela derrubada do veto ao PL da Dosimetria, na quinta (30). Por isso, a principal aposta da esquerda será na defesa do fim da escala 6×1, que já havia sido tônica do 1º de Maio do ano passado e é aprovada por 71% da população, segundo o Datafolha.
Há duas semanas, o governo Lula enviou um projeto de lei propondo a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem diminuição de salário. O projeto é mais flexível que a PEC da escala 4×3, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e tramita de forma mais rápida. O governo quer aprovar o texto antes das eleições deste ano, o que coloca deputados e senadores em situação delicada — rejeitar a proposta pode custar a reeleição de muitos.
A irritação de governistas com o Congresso após a sequência de derrotas, em especial o veto a Messias, fez com que eles se empenhassem a aprovar o fim da escala 6×1 o quanto antes. “A classe trabalhadora está fungando no pescoço dos deputados para que a lei passe”, disse Moisés Selerges, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pré-candidato a deputado federal pelo PT-SP.
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, berço político de Lula, organizará um dos principais atos, com início às 9h. A mobilização será no centro da cidade e contará com discursos e apresentações musicais — a principal será de Glória Groove, que emplacou o hit “Vermelho” em 2022, adotado pela militância petista. A partir das 16h, o ato deve contar com os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), o presidente do PT, Edinho Silva, e o ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato ao governo paulista.
Haddad se juntará às pré-candidatas ao Senado em SP, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), no ato promovido pela Força Sindical às 8h, na sede do movimento, no bairro da Liberdade. O trio é visto no PT como o possível palanque de esquerda no estado, que também tem Márcio França (PSB) pleiteando candidatura ao Senado.
Às 9h, na praça Roosevelt, no centro de São Paulo, o movimento VAT (Vida Além do Trabalho) reunirá manifestantes em defesa da redução da jornada. Devem participar Erika Hilton, o vereador do Rio Rick Azevedo (PSOL) e Marina Silva. O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, disse que a data é importante para lembrar conquistas e pressionar por novas, como o fim da escala 6×1, que classificou como “um clamor geral da classe trabalhadora”. Ele defendeu a descentralização dos atos, negando que o objetivo tenha sido evitar esvaziamento.
De forma inusitada para o 1º de Maio, grupos de direita se reunirão na avenida Paulista a partir das 11h. O ato será promovido por Patriotas do QG, Marcha da Liberdade e Voz da Nação, movimentos que integram o Projeto União Brasil, sem ligação com o partido de mesmo nome. O trio reservou a Paulista com antecedência, critério usado pela Polícia Militar para ceder a via. Nas redes, os movimentos alegam apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pedir a liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar por tentativa de golpe, e se posicionar contra o fim da escala 6×1.
O senador Marcos Do Val (Podemos-ES) confirmou presença. No Instagram, o Patriotas do QG divulgou um vídeo com IA que simula um convite da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália. “Amigos patriotas, apesar de estar presa, faço um convite: dia 1º de Maio vamos todos para as ruas. Flávio presidente, Bolsonaro livre e Supremo é o povo”, diz a versão computadorizada.
