21/07/2026
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Setor elétrico: risco de R$ 5,4 bi em térmicas gera alerta

Setor elétrico: risco de R$ 5,4 bi em térmicas gera alerta

Um grupo de associações e representantes do setor de energia assinou um manifesto pedindo a redução do parâmetro de aversão ao risco do sistema elétrico. As entidades estimam que a manutenção do patamar atual pode gerar um custo extra de R$ 5,4 bilhões em gastos com usinas termelétricas. O assunto deve ser discutido pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta semana.

O documento é assinado por sete entidades: ABEEólica, Abiape, Abrace Energia, Abraceel, ANACE, COGEN e FNCE. O manifesto defende que o valor adicional não tem justificativa técnica ou econômica consistente.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) utiliza uma ferramenta chamada CVaR (Conditional Value-at-Risk) para avaliar cenários hidrológicos de longo prazo. O objetivo é prever quedas no volume de chuvas e no nível dos reservatórios para minimizar riscos de crise hídrica. Esse parâmetro define a chance de ocorrência de escassez de água.

O nível de aversão ao risco influencia diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o risco percebido, maior o preço da energia. Na prática, isso leva a um maior despacho de termelétricas e ao acionamento de bandeiras tarifárias com custos adicionais para o consumidor.

Antes de 2024, o modelo considerava 30% de chance de escassez hídrica, com base nos 15 piores cenários simulados. Esse parâmetro era conhecido como “15/30”. Com a atualização, o modelo passou a enxergar 40% de chance, mudando para “15/40”.

O CMSE se reúne na próxima quarta-feira, dia 13, para discutir os parâmetros que serão adotados em 2027. No ano passado, o comitê manteve para 2026 os mesmos parâmetros usados em 2025.

Segundo o manifesto, os parâmetros atuais já resultam em um custo de R$ 51,6 bilhões em geração termelétrica para garantir o atendimento do sistema mesmo em cenários hidrológicos extremos. As entidades afirmam que um aumento adicional de R$ 5,4 bilhões não se justifica.

“A contratação ou despacho adicional que elevaria esse montante em R$ 5,4 bilhões não encontra justificativa técnica ou econômica consistente. Trata-se de custo incremental elevado, associado a benefício marginal reduzido”, aponta o manifesto.

O texto do manifesto também destaca que o ponto central do debate é a relação entre custo e benefício. “Estará em definição os custos que suportarão a segurança energética em 2027, mais objetivamente, o nível estimado de térmicas que serão utilizadas para complementariedade da geração hidrelétrica”, diz o documento.

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