A situação não é favorável para o início da campanha de Lula à reeleição. O grupo próximo ao petista demora para reconhecer os fatores negativos e agir de forma unida, no governo e na política. Na verdade, falta um coordenador e alguém com influência sobre Lula. O que mais se ouve entre auxiliares e aliados é que ele tomará todas as decisões importantes, no seu tempo.
Enquanto isso, a CPMI do INSS vai se transformando na CPMI do Lulinha. A interlocução com o Congresso, já ruim, piora. A definição sobre quem fica e quem sai do governo e sobre os candidatos apoiados pelo presidente em cada estado acontece em ritmo intermitente, sem direção clara.
Na última terça-feira, 19 de março, Lula se reuniu em São Paulo com as pessoas que devem compor seu palanque no estado. Tudo indica que Fernando Haddad disputará o governo. Simone Tebet deve ser a candidata de Lula ao Senado. E o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deve ser confirmado na chapa à reeleição, pode atuar como coordenador da campanha de Lula e de Haddad no estado.
Se confirmado, esse arranjo seria o início da montagem do quadro de candidatos de Lula em todo o país, a menos de um mês do prazo para renúncias. A oposição já está mais adiantada na costura de alianças, como mostrou o mapa esboçado por Flávio Bolsonaro na semana passada.
O ano começou com desgaste na avaliação de Lula, medido em pesquisas públicas e internas. Além do episódio do carnaval, contribui para a rejeição a impressão de que os escândalos do INSS e do Master são da alçada do Executivo.
É outro problema que ele e sua equipe demoram a enfrentar. Lula voltou de viagem ao exterior, encontrou problemas e não se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado para tentar resolvê-los. De pouca utilidade, para a opinião pública, foi dizer em entrevista que, se o filho tiver de dar explicações sobre o INSS, que dê.
A associação da sua família a escândalos passados está presente em parte do eleitorado. Episódios como esse reativam essa questão.
Davi Alcolumbre já enviou pelo menos dois recados de que está insatisfeito com o governo e quer ser chamado a conversar. Não se trata de atender mais demandas do presidente do Congresso, que já tem postos e vantagens. Mas não ter um canal de diálogo constante com o comando do Legislativo pode ser um problema para um governo que sabe não ter maioria.
Tudo isso resulta em um quadro em que o Planalto é frequentemente pego de surpresa com derrotas. Não controla nem a agenda dos projetos que pretende defender na campanha, como o fim da jornada 6×1 e a PEC da Segurança, ambos mais dependentes do presidente da Câmara, Hugo Motta, do que de Lula e seus ministros.
