31/03/2026
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Fim do gigante Guangzhou: o que aconteceu?

O Guangzhou FC, fundado em 1954 na cidade chinesa de mesmo nome, era conhecido como “Tigres do Sul da China”. O clube surgiu como uma representação do governo local, uma prática comum no futebol do país.

Ele só se tornou profissional 39 anos após sua fundação. Durante boa parte de sua história, alternou entre acessos e rebaixamentos, sendo um time coadjuvante em uma importante cidade comercial.

A situação piorou em fevereiro de 2010. O clube foi rebaixado à segunda divisão como punição por manipulação de resultados. A ação fez parte de uma investigação do Ministério de Segurança Pública que encontrou subornos pagos por funcionários do time para vencer jogos em 2006.

A operação também condenou outros clubes, prendeu ex-vice-presidentes da federação chinesa, um árbitro da FIFA e atletas da seleção nacional. Com dirigentes presos, o Guangzhou foi colocado à venda. Foi quando apareceu a Evergrande.

Em 2010, o time foi comprado por 100 milhões de yuans e passou a se chamar Guangzhou Evergrande. A nova dona era uma gigante do setor imobiliário com origens na mesma cidade.

O responsável pela compra foi Xu Jiayin, fundador da empresa. Sob sua gestão, a Evergrande acumulou 150 bilhões de dólares em ativos. Jiayin chegou a ser o homem mais rico da China em 2017.

O potencial financeiro virou a principal arma do clube. As ofertas eram excelentes em questões monetárias, o que rendeu ao time o apelido de “Chelsea da Ásia”.

A reformulação começou ainda na segunda divisão, com contratações de peso como os chineses Sun Xiang e Zheng Zhi, e o brasileiro Muriqui. No fim de 2010, o time foi campeão da segunda divisão e voltou à elite.

Nos anos seguintes, o clube trouxe jogadores conhecidos do futebol brasileiro, como Conca, Lucas Barrios, Paulinho, Elkeson, Alan, Aloísio, Talisca e Ricardo Goulart. Muitos foram contratados em momentos altos de suas carreiras.

O Guangzhou também investiu em treinadores renomados: os campeões mundiais Luiz Felipe Scolari, Marcello Lippi e Fabio Cannavaro.

Os resultados foram oito títulos chineses (2011 a 2017 e 2019), duas Champions da Ásia (2013 e 2015), duas Copas da China e quatro Supercopas. Felipão se tornou o técnico mais vencedor da história do clube.

Em 2020, foi anunciada a construção de um estádio para 100 mil pessoas em formato de flor de lótus, com custo de cerca de 12 bilhões de yuans. A previsão de inauguração era 2022.

A Evergrande teve crescimento exponencial até 2020, mas sua estratégia foi baseada em muitos empréstimos. Os juros se tornaram insustentáveis, levando a empresa à falência. A crise na companhia afetou diretamente o clube.

O ex-técnico Luiz Felipe Scolari comentou a queda. “Quando a crise aconteceu na Evergrande, o clube foi muito impactado. Foi uma queda muito grande”, disse ele ao ge. Felipão também relembrou com carinho da época. “Fico triste pelo que aconteceu com o Guangzhou, mas alegre por ter participado disso tudo”.

O time, que foi heptacampeão consecutivo e viveu seu auge na década de 2010, fechou as portas após o colapso da empresa bilionária que o sustentava.

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