21/07/2026
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Filme de Bolsonaro custou R$ 65,7 mi; Vorcaro bancou 90%

Filme de Bolsonaro custou R$ 65,7 mi; Vorcaro bancou 90%

A produtora GoUp, responsável pelo filme Dark Horse sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, informou que o orçamento já gasto na produção é de cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a R$ 65,7 milhões. A informação foi dada pela dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, em entrevista à Globonews nesta terça-feira, 19.

Segundo Karina, mais de 90% desse valor foi bancado com dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso e é investigado por fraudes bilionárias na instituição. O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro já admitiu ter recebido de Vorcaro mais de US$ 12 milhões (cerca de R$ 60,6 milhões) para “patrocinar” o filme, o que representa aproximadamente 92% do orçamento atual.

Na semana passada, o site Intercept Brasil divulgou mensagens de texto e áudio entre Flávio e Vorcaro. Nos diálogos, o senador cobrava dinheiro do banqueiro para bancar a produção do longa sobre a vida do pai. Antes da divulgação dos áudios, Flávio negava que o filme tivesse financiamento de Vorcaro. Depois da reportagem, ele mudou a versão e passou a admitir os pagamentos, mas nega irregularidades e diz que se tratava de “patrocínio” ou “investimento”.

Karina afirmou que, após a prisão de Vorcaro, a equipe do filme teve que buscar novos investidores. Segundo ela, Vorcaro atuou como intermediador de verba, não como investidor. Já Flávio Bolsonaro, em entrevistas, cita Vorcaro como investidor e patrocinador do “Dark Horse”.

A produtora disse que não recebeu recursos diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele, mas sim do fundo Heavengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo é administrado por aliados do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

A Polícia Federal investiga se o dinheiro repassado por Vorcaro estaria sendo usado para custear Eduardo, que vive nos Estados Unidos em exílio auto-imposto desde o início de 2025 e teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal. Flávio nega que a verba seja usada para outros fins além da produção do filme.

Segundo informações do Intercept Brasil confirmadas pelo Estadão, havia uma negociação para que Vorcaro desse uma contribuição de US$ 24 milhões (R$ 121,2 milhões). Os valores estão em documentos da investigação da PF sobre o caso Master. Os repasses de Vorcaro para o filme superam os orçamentos de “Ainda Estou Aqui” (R$ 45 milhões) e “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões), dois sucessos brasileiros que chegaram ao Oscar.

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