A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, com empate de 1 a 1 contra Marrocos, confirmou o que já era evidente nos amistosos preparatórios. O Brasil ainda é um time em construção, e a principal conclusão após o jogo é que o técnico Carlo Ancelotti insistiu por tempo demais em uma base que já havia mostrado sinais de que não funcionava.
Os testes contra Panamá e Egito já haviam revelado problemas de organização, dificuldade de criação e pouca intensidade. Mesmo assim, o treinador manteve praticamente a mesma estrutura para a estreia. O resultado foi um primeiro tempo em que o Brasil foi dominado por um Marrocos organizado e disciplinado taticamente.
A seleção brasileira passou boa parte dos primeiros 45 minutos correndo atrás da bola. O gol marroquino surgiu de uma falha coletiva. Em um contra-ataque simples, Marquinhos e Gabriel Magalhães hesitaram na marcação e permitiram que o atacante adversário avançasse livre para finalizar.
O prejuízo poderia ter sido maior. Marrocos criou outras oportunidades para ampliar o placar. O Brasil só conseguiu reagir graças ao talento individual de Vinícius Júnior. Em uma de suas melhores atuações com a camisa da seleção, o atacante marcou um belo gol e foi o principal motivo para o Brasil permanecer vivo na partida.
No segundo tempo, Ancelotti mexeu na equipe. A saída de Ibanez, improvisado na lateral-direita, e de Casemiro, que mostrou dificuldades para acompanhar o ritmo do jogo, trouxe mais equilíbrio ao time. Ambos estavam amarelados e acumulavam problemas de posicionamento.
Outros jogadores passaram despercebidos. Raphinha, um dos nomes do Barcelona, teve atuação apagada e não conseguiu participar das jogadas ofensivas. Igor Thiago, escalado como centroavante, não finalizou com perigo nem serviu como referência no ataque.
Com as substituições, a equipe passou a controlar a posse de bola, criou oportunidades e mostrou uma versão mais competitiva. O empate deixa uma mensagem clara: o Brasil tem potencial para crescer, mas a partida revelou que problemas identificados nos amistosos continuam sem solução. A boa notícia é que a reação mostrou caminhos. A má notícia é que Carlo Ancelotti precisou de 45 minutos para enxergar algo que os amistosos já haviam escancarado.
