29/07/2026
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Datafolha: 59% reprovam proibição de Flávio visitar Bolsonaro

Datafolha: 59% reprovam proibição de Flávio visitar Bolsonaro

Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 59% dos eleitores consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agiu mal ao proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar. Outros 36% avaliam que a decisão do magistrado foi correta, 2% disseram que ele não agiu bem nem mal e 4% não souberam responder.

O levantamento, realizado nos dias 22 e 23 de julho, também aponta apoio majoritário à permanência de Bolsonaro em regime domiciliar: 59% são a favor, enquanto 35% são contra e 6% não opinaram. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses após condenação do STF por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes.

Bolsonaro estava preso desde novembro de 2025 na superintendência da Polícia Federal em Brasília e depois na Papudinha. Em março deste ano, Moraes autorizou a prisão domiciliar por questões de saúde, mas com a proibição de uso de celular, internet ou redes sociais, inclusive por meio de terceiros. A pesquisa indica que 62% dos entrevistados concordam que ele não deveria poder usar redes sociais durante o cumprimento da pena, enquanto 35% defendem o acesso às plataformas.

O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o BR-01166/2026.

A proibição de visitas de Flávio ao pai ocorreu após o senador ler, em um evento no dia 11, uma carta escrita pelo ex-presidente e anunciar que o texto seria divulgado nas redes sociais. Na carta, Bolsonaro chamou Flávio de seu “porta-voz” e de candidato escolhido para representá-lo. Moraes entendeu que houve violação da ordem judicial que impede o ex-presidente de usar redes sociais diretamente ou por intermédio de terceiros.

Com a decisão, as visitas de Flávio foram suspensas por 90 dias. As visitas dos demais familiares foram suspensas por 30 dias, e ficaram vetados contatos de natureza política até as eleições e a divulgação de manifestos. Advogados, médicos e fisioterapeutas continuam autorizados a entrar na residência onde Bolsonaro cumpre a pena, em Brasília. Flávio, mesmo inscrito como advogado do pai no processo, ficou pessoalmente impedido de visitá-lo.

A defesa de Bolsonaro recorreu, alegando que as restrições ultrapassam a suspensão dos direitos políticos e atingem a liberdade de pensamento. Os advogados também afirmam que a expressão “visitas com finalidade político-eleitoral”, usada na decisão, é abstrata e não estabelece critérios claros. Flávio classificou a medida como “ilegal, desproporcional, covarde e cruel” e acusou Moraes de tentar interferir nas eleições.

A pesquisa foi realizada antes da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência no sábado (25). No evento, uma reprodução de Bolsonaro feita com inteligência artificial apareceu no telão para pedir que os apoiadores recebessem Flávio como seu sucessor. O candidato chorou ao falar do pai e afirmou que ele é perseguido e vítima de uma farsa. O presidente argentino Javier Milei também atacou Moraes durante a convenção e reclamou de não ter recebido autorização para visitar Bolsonaro.

Na mesma rodada da pesquisa, o presidente Lula (PT) aparece com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 43% de Flávio. No primeiro turno, Lula tem 40%, e Flávio, 32%. O cenário de segundo turno ficou estável em relação à pesquisa anterior. A convenção do PL buscou reanimar os eleitores após uma sequência de notícias negativas para Flávio, incluindo uma crise com a madrasta Michelle Bolsonaro, que em junho disse ter sido desrespeitada pelo enteado. A reconciliação foi anunciada em 23 de julho.

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