21/07/2026
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Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga e derruba preços

Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga e derruba preços

A Avenida Comercial Norte, um dos pontos mais tradicionais do Distrito Federal, está perdendo suas lojas. O cenário de calçadas movimentadas e vitrines atraentes deu lugar a placas de “aluga-se”. O fechamento em massa de estabelecimentos preocupa moradores e comerciantes.

Para Hélio Eustáquio da Silva, proprietário da Hélio Imóveis, o declínio é resultado de fatores como a carga tributária e a mudança no comportamento do consumidor. “Há muitos imóveis desocupados, especialmente em função dos frequentes aumentos de impostos e da mudança de mentalidade das pessoas, que hoje preferem consumir em locais com maior concentração de lojas, como os shopping centers”, afirma.

Segundo o corretor, a grande oferta de espaços ampliou os prazos de locação. “O tempo médio para locação na área pode girar em torno de oito meses. Os interessados ganham maior poder de barganha”, explica. Ele também critica o valor do IPTU. “O IPTU cobrado pelo governo é exorbitante e não reflete o estado de abandono da avenida”, conclui.

A insegurança é outro problema. Alisson David, de 30 anos, trabalha no setor de vestuário e relata a queda no movimento. “O movimento caiu bastante. Sentimos um baque grande até em janeiro e dezembro. Além de vender menos, a gente sofre com a insegurança. Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa”, conta.

O atendente José Pereira, de um brechó local, diz que a presença de moradores de rua afasta a clientela. “Quase todos os dias vemos muitos moradores de rua. Alguns ficam deitados na porta das lojas. Isso acaba afastando os clientes”, destaca. Apesar das dificuldades, ele afirma que a proprietária não cogita migrar para o atendimento online.

A produtora rural Maria Aparecida Silva, de 56 anos, frequenta a região toda semana. “Antigamente, essa comercial tinha de tudo. Hoje a realidade é outra. O que falta é o policiamento e a segurança pública”, diz. O motorista de aplicativo Anderson Fábio dos Santos, de 37 anos, aponta o custo dos aluguéis como um obstáculo. “O preço dos aluguéis está sufocante. Muitos proprietários cobram valores fora da realidade”, afirma.

A Administração Regional de Taguatinga informou que não tem um mapeamento com o número exato de lojas fechadas. O administrador alega que o esvaziamento reflete uma mudança iniciada na pandemia, quando muitos lojistas migraram para o comércio eletrônico. “Muita gente saiu da rua e montou escritórios em shoppings e centros empresariais”, diz. Como resposta, a Administração aposta em um projeto de política de ocupação que tramita na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh).

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