08/06/2026
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Parada LGBT+ reforça distância da direita e contrasta com Marcha para Jesus

Parada LGBT+ reforça distância da direita e contrasta com Marcha para Jesus

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) participou da 30ª Parada LGBT+ de São Paulo neste domingo (7) usando um vestido transparente de tule preto, em traje de odalisca. No alto do trio elétrico, ela foi recebida pelo público com gritos de “Erika, presidenta”. Hilton era a figura política mais esperada na avenida Paulista.

“O Brasil é um país que quer nos ver pelas costas, mas ocupamos as ruas com garra e perseverança. A maior vitória da classe trabalhadora brasileira está nas mãos de uma travesti preta”, disse a deputada. Ela apresentou a proposta do fim da escala 6×1, já aprovada na Câmara dos Deputados, e cobrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pela votação da matéria. O público reagiu com gritos de “Fora, Alcolumbre”.

O entusiasmo em torno de Hilton contrastou com a ausência de políticos de direita no evento. Três dias antes, eles haviam comparecido à Marcha para Jesus. Estiveram no evento religioso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB-SP) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O advogado-geral da União, Jorge Messias, também foi, mas ficou isolado no trio elétrico principal.

Como nos últimos anos, Nunes e Tarcísio não foram à Parada. A assessoria de Tarcísio não respondeu aos contatos. A de Nunes informou que ele inaugurava o Parque Verde da Mooca Vereador José Índio, na zona leste.

O diretor da Parada, Matheus Emílio, afirmou que o evento está sempre aberto a representantes dos poderes Executivo e Legislativo, sem restrições ideológicas. Ele lamentou a ausência de Nunes e Tarcísio, destacando que a festa é um marco cultural da capital. “O contraste com a Marcha para Jesus mostra que cidadãos LGBT+ ainda são tratados como cidadãos de segunda classe”, disse Emílio.

Nem sempre foi assim. O tucano Bruno Covas (1980-2021), de quem Nunes foi vice, esteve na Paulista em três edições. Em 2018, foi vaiado na abertura. O ex-governador Geraldo Alckmin também se dirigia à comunidade LGBT+. Segundo Emílio, a ascensão do bolsonarismo reduziu o respeito às diferenças. “O conservadorismo e a extrema direita tentam tirar direitos das pessoas”, afirmou.

No domingo, o vereador Lucas Pavanato (PL) foi à Paulista e causou confusão ao provocar os presentes, gravando vídeos para as redes. Pavanato apoia um projeto que visa transferir a Parada para espaços fechados e proibir a presença de crianças. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou a iniciativa. “Parece que não têm problema no país e tentam atacar a maior parada do mundo”, disse.

Passaram pelo trio o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), que cantou “Blowin’ in the Wind”, de Bob Dylan, o deputado Guilherme Cortez (PSOL-SP) e a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello. O orçamento foi um ponto sensível, com redução de patrocínios e menos seis trios elétricos. Nunes diminuiu o investimento de R$ 6 milhões para R$ 5,5 milhões.

Um grupo ligado ao PCdoB usou máscaras de Tarcísio, Nunes, Flávio, do presidente dos EUA Donald Trump e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Um cartaz dizia “familícia bolsomaster”, em referência ao caso do Banco Master.

O policial militar Alexandre Dias, 39, andava pela Paulista com um cartaz afirmando que os partidos PL, MDB, União Brasil, PSD e Novo não se importam com a comunidade LGBT+. “É preocupante não termos uma presença forte de políticos aqui na Parada, e a presença maciça de políticos na Marcha Para Jesus é assustadora”, disse. “Quando a religião entra tão diretamente na política, isso é preocupante.”

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